Assim, e facilmente se pode caracterizar o jogo de ontem no nosso lindíssimo Estádio do Dragão. FCPorto e Chelsea jogaram de igual para igual pese embora a aparente grande diferença na qualidade individual dos seus jogadores e no seu valor (€) individual. Também facilmente se conclui que, de facto, o “Todo é maior que a soma individual das suas partes”, e o FC Porto mostrou ser mais equipa que o Chelsea.
O nosso Estádio engalanou-se para mais uma grande noite europeia. Se a memória não me falha, de acordo com a informação veiculada nos painéis do estádio, 50.216 pessoas e mais alguns jornalistas, bombeiros, polícias e outro mitras que entraram pela porta-do-cavalo, assistiram à partida, infelizmente, demasiado regada, na parte final, por uma fria e bem molhada chuva, que também em parte prejudicou o espectáculo.
Como é hábito nestes jogos, os Super Dragões, criaram um espectáculo visual de grande imponência, como outrora já nos deliciaram, que embelezou ainda mais o cenário. Ouve-se o arrepiante hino da Champions, apresentam-se e cumprimentam-se as equipas… o nervoso miudinho aperta a barriga e acentua o frio que se faz sentir no estádio.
O jogo caracterizou-se nas duas partes de 45m. Os primeiros 45m em que a nossa equipa ainda “tinha pernas”, e os segundos 45m, em que as pernas começaram a faltar. A primeira parte foi assim um jogo sempre jogado em grande velocidade, com constante pressão sobre os jogadores com bola. Glória ao meio-campo e ainda ao incansável Lisandro Lopez. Notava-se um FCPorto determinado e senhor do seu nariz, e um Chelsea, portentoso e enorme, mas receoso da chama do Dragão. Glória ainda à dupla de centrais do FCPorto que estão cada vez melhores como dupla, e são claras as sinergias que se conseguem com tal entrosamento. Não me lembro de perderem um lance pelo ar, e poucos foram o que foram surpreendidos com a bola no chão. De qualquer maneira, nem tudo foram rosas, porque, apesar de estarmos a jogar com quem estávamos, não foram muitos os lances ofensivos que se criaram, que não originados por uma finta do Quaresma. É ingrato ver o Postiga a tentar criar espaços, abrir nas linhas, tão sozinho que estava no centro do ataque. É claro que tem que partir de trás para a frente, e pedir mais bolas bombeadas, ou vir mais atrás tabelar com Lisandro e Quaresma (o famoso passe-e-corte do basquetebol)… mas quem sou eu… nem o nivel 1 tenho!
A 2ªparte foi totalmente desprovida do mesmo fulgor dos 1ºs 45m, com o FCPorto a decair na sua pujança física e um Chelsea, ainda temeroso, a fazer arrefecer o jogo, por momentos, a queimar tempo.
O Professor ainda tentou mexer: a saída de Raul Meireles veio dar protagonismo a Paulo Assunção que partiu para um exibição seguríssima (parece que, quanto mais sozinho está, quando a responsabilidade é maior, melhor lhe corre o jogo!). A tentativa de “criar” um nº10, com a entrada do Bruno Moraes, que por mais técnica que tenha, que o tem, não consegue funcionar como nº10 porque não sabe como; entrada de Marek Chech, numa tentativa de fazer o losangulo do meio-campo, que acabou, na minha opinião, por levar o Quaresma a fechar-se demasiado no meio; e o Adriano para o ingrato lugar de ponta-de-lança no meio dos poderosos defesas do Chelsea.

Gostava de sublinhar o Quaresma, pelos seus pormenores de classe e técnica excepcional, mas também por, na minha opinião, alguns erros de táctica e de julgamento. Custa-me ver o Quaresma a vir buscar as bolas atrás, à linha do meio campo, sem necessidade, ou esperar o passe para a linha lateral, ficando só ele o defesa e o corredor, como desejado, mas ainda na linha de meio campo! Custa-me que ele não aproveite a sua rapidez para iniciar arrancadas nas costas do lateral que o defende, para aproveitar o passe bombeado do nosso meio-campo/defesa. Custa-me a ver o Quaresma a ter lavios de egoismo, a tentar furar heoricamente por entre 3 ou 4 adversários, sem necessidade. A equipa ganha quando o Quaresma combina com os seus colegas sem ter necessariamente que entrar no confronto de um-para-um (como foi exemplo a combinação com Raul Meireles que resultou no seu portentoso remate à barra da baliza de Chech).
Daqui a 15 dias será em Londres, onde alguns dos deste singelo Blog estarão. Pelo factor casa, não consigo dizer que as probabilidades serão de 50/50 no favoritismo… talvez 60/40, mas estou confiante que os 40 poderão ser tão prováveis como os 60.
Força Porto!