Muito se fala do basquetebol e do insucesso que esta modalidade atravessa no panorama desportivo português.
E estatisticamente podemos encontrar alguma provas disso mesmo: O INE em 2005 conclui que o Basquetebol, se recorrermos apenas ao numeros de praticantes é a QUARTA modalidade do nosso país, atrás do futebol, andebol e ainda voleibol.
Desde os 6/7 anos até à idade sénior muitos escalões existem em qualquer modalidade, seja futebol, andebol, voleibol ou basquetebol, mas sem duvida alguma é o escalão sénior que tem uma maior importância na hora de cativar mais adeptos e praticantes para a modalidade em questão.
Seja pelas próprias regras do jogo, seja pela dinâmica da modalidade, seja por ser jogada com os pés ou mãos, seja por permitir contacto ou não, seja por permitir que os jogadores se cruzem e lutem pela bola no mesmo espaço, ou em espaços distintos…Seja como for e definindo estas características, saberemos de qual modalidade se trata.
Nestas características há uma que todo o adepto do desporto em geral, gosta e procura: Dinâmica no próprio jogo mas também, e provavelmente mais importante, dinâmica no resultado. Algo que se movimente no tempo, que mude constantemente que não seja estático.
Mas acima de tudo, o adepto procura um dinamismo imprevisível, onde uma equipa seja mais dinâmica num momento e no momento seguinte a outra consiga superar a dinâmica da anterior… o qual podemos definir desportivamente como competitividade e tornar o termo imprevisibilidade mais recorrente num prognóstico de qualquer jogo.
Procuramos (como adeptos) que todos os jogos sejam imprevisíveis, que não seja fácil saber quem ganha, procuramos jogos competitivos, campeonatos competitivos. Mais uma vez, Imprevisíveis.
É possível haver um campeonato competitivo com equipas sem dinheiro?
É possível haver um campeonato competitivo com jogadores meses sem receber?
É possível um campeonato, mesmo que haja dinheiro, com equipas a pagarem 10 mil euros/mês a um jogador e outras que nem 2 mil conseguem pagar ao fim do 4º ou 5º mês (já estou a ser bonzinho)?
É viável ter orçamentos elevadíssimos suportados apenas por um patrocinador, para depois quando este desistir de investir, um clube acabar ou perder claramente a força que tinha (casos do Estrelas da Avenida, PT Telecom, Aveiro Basket, Oliveirense, Queluz, Benfica e mais recentemente Ovarense)?
É viável estabelecer um limite minimo orçamental para pertencer a uma Liga e não estabelecer também um limite máximo como, por exemplo é feito nos EUA, muito embora a realidade seja outra mas onde os motivos não sejam de todos diferentes: não permitir que uma equipa que tenha mais dinheiro fique com os melhores jogadores e seja claramente superior?
Não seria mais “saudável” estabelecer um limite das receitas de patrocinadores e municipios (salvaguardando sempre excepções como seria, p ex. o caso do CAB Madeira e Lusitânia dos Açores apenas para despesas de deslocação), forçando a uma menor disparidade de orçamentos mas também a uma aposta na promoção do basquetebol com vendas de merchandising e bilheteira que seriam receitas extraordinárias sem limite?
Não seria mais “saudável” fixar uma percentagem desse mesmo valor de patrocínios directos, que cada clube possa obter, para os salários dos jogadores?
Não seria mais “saudável” promover a manutenção dos jogadores nos clubes que representam criando excepções em que percentualmente, os jogadores que se fixem nos clubes possam eventualmente ganhar, percentualmente, mais podendo então elevar um pouco o limite estabelecido no ponto anterior?
Poderia continuar em perguntas sem fim, mas de notar que obviamente que não sou um Guru destes assuntos ou ainda um visionário e bastou apenas analisar o que se passou em países onde estas leis foram bem sucedidas e, à nossa medida e realidade, ponderar sobre a possibilidade da aplicação dessas mudanças ao nosso basket.
Propositadamente não toquei no assunto Federação vs. Liga de Clubes porque neste momento, acima de tudo e mesmo da existência de pessoas que queiram aparecer nos jornais, televisões e ganhar uns valentes trocos com o Basket, o que realmente me preocupa e o que as pessoas têm de analisar são os ares de mudança necessários, e bons ares, para que o Basket recupere deste sufoco dos últimos anos e ganha a força que a modalidade merece.
Podem aprender um pouco sobre o que se passou com o famoso Lockout de 1998 na NBA em:
thesis.haverford.edu/dspace/bitstream/10066/988/1/2007BrownS.pdf
ou ainda sobre como funciona o tecto salarial imposto na NBA em:
http://en.wikipedia.org/wiki/NBA_Salary_Cap