Começou a Champions League, 2009-2010. O FCPorto foi a Londres defrontar o cabeça de série do grupo, o Chelsea, orientado por Carlo Ancelloti mas com uma estrutura dorsal que vem de há 4 anos, montada em tempos por José Mourinho.
À partida era um encontro difícil, onde um empate seria certamente um bom resultado, se bem que o FCPorto deva sempre almejar a vitória onde quer que seja, mas convinhamos que o empate, em termos de competição em liga, seria bom. E desconfio que foi este o pensamento do técnico Jesualdo Ferreira. Ainda que um ligeiro vislumbre sobre uma vitória surpreendente e histórica. Surpreendeu com o 11 inicial, com imprevisível Guarin e ainda com Mariano e Christian Rodriguez, e com isso parece que tentou montar um 4-4-2 que se desdobrasse num 4-3-3. Seria provavelmente de Mariano esta responsabilidade, cabendo a Guarin, Meireles e Fernando, suster o meio-campo do Chelsea. O 4-4-2 foi uma opção normal, previsível, para um jogo com o Chelsea, em Londres, contra uma equipa com um pulmão de meio-campo brutal, com Essien, Lampard, Ballack…
Muita gente ficou boquiaberta com a escolha de Guarin. De facto, este apenas tinha 1 minuto de jogo oficial esta época, e a outra recordação que temos de Guarin em Inglaterra, não lembrava nada de bom. Mas, surpreendentemente, não foi Guarin o erro de casting do 11 do FCPorto perante o Chelsea, pelo contrário! Mariano rarissimamente este bem e não conseguiu esticar o ataque do FCPorto do 4-4-2 para o 4-3-3 pretendido. Em termos de organização defensiva, o FCPorto conseguia controlar de algum modo os ímpetos de ataque do Chelsea, mas em desdobramento ofensivo, a eficiência era reduzida. Também Rodriguez não esteve ao nível do jogo de Manchester do ano passado. Foram 2 peças perdidas no xadrez de Jesualdo.
Mal se virou a página dos 45m de jogo, num lance “infeliz” da linha defensiva Portista, Anelka marcou o golo do Chelsea, e, a partir daí, não sei se por iniciativa ofensiva do FCPorto se por natureza do Italiano treinador do Chelsea, os caminhos para a baliza dos Ingleses foram cerrados! E já num declarado 4-3-3, com Varela e Falcão a acompanhar o em parte esgotado Hulk, o FCPorto tentava ir atrás do prejuizo, sem sucesso.
E o jogo caminhou para o fim, calmamente, sem grandes picos de emoção, com uma expulsão de Fernando no final, uns remates de fora da área, e a falta de uns cms nas pernas de Falcao para encostar num cruzamento mortífero.
Deu-me a ideia de que o professor poderia ter arriscado alguns laivos de criatividade de Belusshci nos ultimos 15m, mas preferiu manter Guarin e Meireles nessa função. Sabemos bem que técnica e criatividade em 1-2metros não é com eles, mas o Professor teria outra ideia. Preocupa-me também a falta que Fernando nos fará no próximo encontro da Champions, visto que na realidade não temos mais nenhum verdadeiro trinco inscrito para a CL. Prediguer, que nunca o vimos jogar, não está listado. Guarin ou Meireles, já o disse várias vezes, não são verdadeiros-trincos!
Fica para a próxima o quebrar da história não vitoriosa do FCPorto em Inglaterra. Venha o próximo adversário, o Atlético de Madrid, já daqui a 15 dias. Infelizmente, este resultado não se pode considerar uma surpresa.