(Re)considerando o modelo de negócio da FC Porto SAD
Mais do que criticar as opções tomadas no passado, com os podres que os maus momentos sempre parecem descobrir talvez seria melhor analisar aquilo queremos para o futuro do “nosso” clube. Ponho nosso entre aspas porque não é nosso a FC Porto SAD, não é nossa, não nos pertence, é dos seus accionistas maioritários, geridos por interesses que nada têm a ver com o “nosso” interesse. Não, não são lucros através das suas respectivas participações financeiras, pelo contrário, são participações com outras intenções, como por exemplo a criação de lobbie para que usufruam potenciais mais valias futuras, quer sejam imobiliárias, direitos televisivos, ou simplesmente posicionar-se para uma futura eleição para presidente de respectiva sociedade, comportamento muito idêntico ao protagonizado pelos abutres na hora de saciar a fome…

Ora, todos sabemos que é preciso mudar… Mudança, câmbio, change, palavras repetidas em todas as escolas de negócios do mundo. A mudança é positiva, sempre e desde quando traga mais valias para todos os seus interessados (nas escolas de negócios, stakeholders). Ai temos alguma coisa a dizer, porque o modelo de negócio da FC Porto, também depende de nós, não accionistas, mas clientes, nós que pagamos os nossos lugares anuais, e outros serviços.
Sem clientes, sem procura, redução de proveitos com direitos televisivos, sem dinheiro para investir nos jogadores, SEM CHAMPIONS, arruína-se um modelo de negócio, assente nas mais valia dos seus activos e nos “dividendos” que a histórica participação na Champions nos dava….Pois como tudo na vida, as coisas mudam, algum dia….espero. Os activos podem variar, diminuir mas as dívidas, senão as amortizarmos não alteram…e ai teremos o problema do “nosso” clube. Como pagaremos os juros das nossas dívidas sem os “dividendos” da Champions, sem mais-valias significativas de jogadores (qual o impacto do valor de mercado dos nossos jogadores depois desta temporada e depois da imagem deixava em Londres????).
Todos sabíamos que era um modelo de risco, um risco controlado, alguns dirão, fundamentado naquilo que o FCP tem Know-How, prospecção de jogadores, criação de valor desses activos adquiridos e elevadas competência aquando da negociação da venda desses mesmos activos.
Há que introduzir alterações, mudanças, não só na parte táctica da gestão (incluo nesta vertente a gestão operacional do negócio como por exemplo, renovação do plantel e respectiva equipa técnica) mas, principalmente na estratégia da empresa, do seu modelo de negócio, na(s) sua(s) vantagens competitivas. Não penso que seguir o modelo do Benfica seria uma boa solução, assenta-se num projecto de maior risco, maior divida e menor visão de longo prazo, falo da própria viabilidade de negocio. Até que ponto podemos os clubes continuar a endividarem-se para alcançar êxitos no curto prazo??? Alguns dirigentes dos clubes de futebol (mesmo a nível internacional) assemelham-se à maioria dos autarcas deste pais…pensam curto, como máximo 3 anos (porque no 4 é ano de fazer campanha, já nem pensam…)!
Posto isto, urge uma clara redefinição estratégica que deverá combinar o Know-How do clube na prospecção de jogadores com uma clara (e objectiva) aposta na formação do clube, fomentando uma cultura de jogo assente na qualidade de jogo e fair-play que por sua vez criaria maiores laços e sentido de pertença a todos nós, sócios, apaixonados, enfim clientes…o futuro o dirá!





