Estádio Dragão

Teoria dos 6 milhões!

March 16th, 2007

Os 6 milhões de lampiões...

Se são ou não 6.000.000, não interessa. Que benfiquistas são perto disso, não duvido.
Mas já alguém se perguntou: mas porque são tantos os benfiquistas?

Eu cá tenho a minha teoria. Eu gosto de pensar e raciocinar sobre as coisas e por isso não concluo que são 6 milhões porque são todos “parvos e estúpidos” ou porque “ninguém é perfeito”. Tenho uma teoria, e vou partilhá-la connvosco.

Prelúdio:
- “o ser humano é um animal de território.”

Já na pré-história o era, defendendo a sua zona de caça ou a sua zona de cultivo, como o continuou a ser ao longo dos tempos. Daí se terem criados as fronteiras: entre países, entre feudos, entre campos de cultivo.
Logo, o dono, proprietário de um território, defendo-o face às ameaças do proprietário dos demais terrenos.

Dentro desta lógica sociologicamente explicada por especialistas, cada homem é proprietário de uma cultura e de valores inerente ao local de onde é natural. Os espanhóis falam castelhano, comem muitas tapas, têm um Rei e um sistema político de monarquia parlamentar. Os franceses falam francês, comem cuisine française, têm um presidente e um sistema político presidencialista. Ora, transpondo isto para o sentido de território e de pátria, os espanhois defendem a Espanha, os franceses defendem a França.

O mesmo acontece em micro-culturas. Aqui no Porto, há as zonas/bairros da Sé, de Contumil, do Cerco, de Campanhã. Cada uma destas têm as suas próprias características. Estou certo que os da Sé defendem o bairro da Sé, e os de contumil defendem o seu bairro. Assim se comprova quando olhamos, por exemplo, para os SuperDragões, que ostentam diferentes bandeiras: SD Cerco; SD Sé; SD Contumil
Claro está que quando continuamos a falar de territórios, há sempre rixas e lutas dentro do mesmo macro-território entre micro-territórios (por exemplo, escaramuças entre membros dos SD Sé e SD Contumil)

Numa lógica mais macro, quando toca a dar “porrada nos mouros”, não interessa se se é da Sé ou de Contumil, do Cerco ou betinho da Foz: é tudo a arrear nos Mouros porque somos do Porto.
Dentro da mesma lógica, e a todos nos aconteceu semelhante, quando vamos para fora do país, não para Espanha, que é quase o mesmo, mas para, por exemplo, Inglaterra. Se encontramos um português, é cá dos nossos e juntamo-nos tribalmente, independentemente de um ser de Lisboa e o outro do Porto, ou um ser da Sé e o outro da Foz (neste caso é difícil mas possível)

“Onde é q eu quero chegar?” pergunta o caro leitor…

Pois bem, a lógica natural das coisas é que:
O bracarense, nascido e criado em Braga, deve puxar pelos do seu território, no futebol, deveria ser adepto do Braga.
O Conimbricense, nascido e criado em Coimbra, deve puxar pelos seus, pela Académica.
Os de Lisboa, deverão puxar e incentivar os seus, conforme a sua região: Sporting CP, Benfica, Belenenses, Amadora, etc…
Os do Porto, igualmente. Há o FCPorto, o Boavista, o Leixões, e outros!
O Português incentiva Portugal, o Espanhol incentiva Espanha.

Ou seja, na minha teoria, um bracarense benfiquista é anti-natural; um alfacinha de gema, nascido e criado em Lisboa (não um desgraçado tripeiro que teve que ir para Lisboa por causa do mercado de trabalho), ser Portista, é anti-natural. O mesmo se passa com uma pessoa nascida e criada no Porto. Não é natural ser benfiquista ou Sportinguista. No limite, é o mesmo que eu ser Português e “puxar” pela França ou por Espanha!

Claro que há um factor muito importante nesta aculturação: a educação dos pais.
Sou franco quando afirmo que sou portista porque o meu pai era e me influenciou, tal como faço questão de influenciar os meus filhos, sendo ambos sócios desde os 2 meses de idade! Claro que muitos benfiquistas de braga hoje em dia o são, benfiquistas, porque o pai e o avõ o eram. É natural! Claro que há sempre o caso dos “rebeldes do contra”, que são do Benfica porque o pai é do FCPorto ou do Sporting e há que contrarirar… e há ainda o caso das crianças que nascendo numa determinada altura, optam, como crianças, por adoptarem como clube aquele que na altura está “por cima”, a ganhar… mas ser dos que “ganham” é fácil… difícil é ser dos que perdem mas lutam!

Mas, se todos pensarmos bem no assunto, é óbvio que se formos recuando de geração em geração, houve alguém que mudou de clube, que determinou as demais gerações.
O nosso amigo X, que tem 30 anos, é do Porto, família do Porto, é benfiquista. O pai, com cerca de 55 anos, viveu o período desde 1950… este já seria benfiquista, desde que começou a ter idade para ver futebol, 1960…. mas o avõ, que viveu desde 1930, se calhar não era benfiquista…

Ou seja, o Benfica de hoje é o que é, por causa dos áureos e antigos tempos dos anos 1950-1970. Tempos que coincidem com a velha senhora, chamada ditadura. Tempos em que na altura, Portugal era Lisboa e o resto paisagem. Tempo em que todos sabem o proteccionismo que gozava o SLBenfica. E o Benfica, na altura, ganhava muito, em Portugal, quase tudo, deixando uns “restos” para o Sporting CP ou muito raramente para o FcPorto. Ganhou até Taça dos Campeões Europeus, merecidamente, porque tinha uma equipa portentosa. O Benfica era um dinamo de vitória, significado de alegrias aos seus adeptos.
Era o Benfica que engrandava os relatos radionfónicos (único e censurado meio de comunicação da altura), famosamente e entusiasmadamente relatados pelo Artur Agostinho.

Ora, num país pobre, paupérrimo, onde não se passava fome mas também não se sorria de luxos e alegrias, poucas alegrias haveria para se viver.
“E porque não juntarmo-nos às alegrias dos que são benfiquistas?”, perguntou muito homem sentado na taberna a ouvir o gasto transistor do café. E foi assim, que muitos pobres de espírito, com alguma falta de personalidade, começaram a festejas as vitórias do Benfica, em vez de incentivarem os seus, da sua terra, os de Braga, os do Porto, os de Chaves, etc, etc.

Pobres daqueles que se deixaram levar pelo facilitismo de então.
Salvé aos fortes de convicções e de personalidade que mantiveram a identidade e os valores das suas raízes.

Vivam os de Braga que são do SC Braga;
Vivam os do Porto que são do FCPorto ou do Boavista ou do Leixões;
Vivam os de Lisboa que são do Sporting CP, do Belensenses;
Vivam os de Leiria que são do UD.Leiria.

1 Comment »

  1. Morcom says

    concordo e subscrevo a teoria,no entanto:
    - O Artur Agostinho é do Sporting.
    - Há é claro a tendência infantil de se ser sempre dos que ganham…
    - O SLB era beneficiadíssimo pelas arbitragens. Disso não tenham dúvidas
    - Não havia imagens televisivas com n câmaras a ver os penaltys ou os off side
    - Não havia image replay
    - Finalmente:NÃO HAVIA O PINTO DA COSTA!!!

    April 18th, 2009 | #

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